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Romance Gráfico

casa_capa_vf_altaAutor(es) Paco ROCA

Editora Levoir

Ano de Publicação 2016

Número de Páginas 136 p.

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário Uma história de amor filial, uma emocionante homenagem de Paco Roca ao seu pai onde os sentimentos se misturam, dando lugar a uma ponte entre passado e presente.

A história, bem simples, mas contada com a mestria própria de um excelente narrador, conta-nos o regresso dos três irmãos à casa onde cresceram, mas que agora se encontra vazia devido à morte do pai. A casa tem de ser vendida e em conjunto devem esvaziá-la mas, à medida que começam a fazê-lo encontram objectos que lhes trazem à memória recordações, pequenas situações cómicas, momentos vividos em conjunto com o pai.

Como representação realista de uma classe média ibérica é um documento interessante. Passa-se em Espanha mas é óbvio o paralelo com Portugal dos anos 80 aos dias de hoje. E Roca parece transmitir sentimentos mais pessoais e íntimos que nas obras anteriores.

5_af_novelas_graficas_2016_400px__06767_zoomAutor(es) Bryan TALBOT

Editora Levoir

Ano de Publicação 2016

Número de Páginas 136 p.

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 12 anos

Comentário Helen Potter, uma jovem vítima de abuso sexual, empreende uma viagem de descoberta pela Inglaterra rural, seguindo os passos da célebre autora de livros infantis, Beatrix Potter, na esperança de reencontrar a paz e a felicidade… Neste diálogo entre duas épocas e duas Potter, Helen irá descobrir a verdadeira força interior que lhe permitirá confrontar os seus demónios pessoais, numa história de heroísmo e coragem.

viagemAutor(es) Edmond BAUDOIN

Editora Levoir

Ano de Publicação 2015

Número de Páginas 232 p.

Impressão Preto e Branco

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário Um belo dia, Simon um empregado de escritório parisiense, abandona a mulher, o filho, a casa, o emprego e a sua cidade, para partir numa viagem pela França, à procura de si próprio. Uma viagem poética, contada pelo traço sensual de Edmond Baudoin, e galardoada em 1997 com o prémio para o Melhor Argumento no Festival de Angoulême.

Nascido em 1942, Baudoin abandona em 1971 o seu emprego como contabilista num hotel de Nice para se dedicar à sua grande paixão: a banda desenhada e o desenho. Tendo publicado nas principais revistas francesas como Circus, Pilote, L’Echo des Savanes e (A Suivre), Baudoin estreou-se em álbum em 1981, com Les Sentiers Cimentés, título publicado pela Futuropolis, editora que irá lançar mais de uma dúzia de livros seus em 10 anos. É um dos grandes representantes do romance gráfico autobiográfico, de que A Viagem é um exemplo poético, que mistura elementos da vida real com outros ficcionais. Autor de uma obra sequencial mais difícil que o normal, mais exigente para com o leitor, que por vezes parece situar-se a meio-caminho entre a BD e a pintura – ou por vezes a caligrafia, o que terá sido um a das razões pelas quais os editores japoneses se interessaram pelo seu trabalho – e que nunca enveredou pela facilidade, Edmond Baudoin viu esse seu percurso ser recompensado em 1992 ao receber o Alph’Art para Melhor Álbum no Festival de Angoulême.

“Quando comecei o meu trabalho, percebia muito bem que estava a fazer algo que poderia ser de facto qualificado como difícil, na banda desenhada. Para mim, o prémio de Angoulême que recebi [pelo álbum Couma Aco] virou-me a vida do avesso. Naquele momento, interpretei aquele prémio como se me dissessem “Seguimos-te até aqui, mas podes ir muito mais longe, por isso, tens de te tornar um pouco mais tu próprio”. Então, muito bem. Vou mostrar-vos que posso ir um pouco mais longe”. – Edmond Baudoin

A Viagem é um livro que ocupa um lugar singular na obra de Edmond Baudoin, por ter sido uma banda desenhada encomendada pela editora japonesa Kodansha, alguns meses depois de Baudoin ter sido premiado em Angoulême, num ano em que o Japão era país convidado do Festival. O pedido era específico, fazer uma espécie de remake de um seu anterior livro, também chamado A Viagem, para a revista Morning, uma revista de manga seinen (para leitores adultos). Por esse motivo, e porque a história era desenhada directamente no papel fornecido pela editora, e por ter sido publicada no sentido de leitura japonês, a sua composição e planeamentos são algo distintos do trabalho normal de Baudoin. (…)

Premiada em 1997 com o Prémio do Festival de Angoulême para o Melhor Argumento, distinção a que não terá sido estranha o traço mais solto e livre, menos denso, que adoptou para este “quase-manga”, e que criou um ritmo de narração muito próprio, A Viagem tornou-se num dos marcos relevantes da sua obra. Depois de Le Voyage, e ao longo dos anos seguintes, Edmond Baudoin tem vindo a alcançar um estatuto que lhe tem permitido explorar a sua própria maneira de fazer banda-desenhada.  (…)

“Eu não sou músico, mas utilizo muito a palavra música para expressar a noção de ritmo. Às vezes até falo, por exemplo, da música de Fellini ou da música de Pasolini. Para mim é muito importante que os seres andem na sua música. Para alguns, essa música poderá ser olhar para árvores vivas, pássaros a voar… e porque não? Mas o que quer que seja, cada um deve encontrar a sua música, e estar na sua música. Para mim isso é o essencial.” – Edmond Baudoin

Autor(es) Miguel ROCHA

Editora Polvo

Ano de Publicação 2003

Número de Páginas 120 p.

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 16 anos

Comentário No Alentejo que se deixou contaminar pelo mediterrâneo, o coro grego que explica situações, que prevê desgraças, que comenta cada acção é composto por dois ou três velhos compadres, sentados contra o branco, junto ao café central da praça da república. Assim é neste magnífico «A Vida numa colher», uma novela gráfica cheia de belas imagens postas por Miguel Rocha ao serviço de uma história de solidões e obsessões desenhadas no pó por grandiosas personagens menores. Temos um país cheio de gigantescas figuras, só apoucadas pela colectiva cegueira. Notável qualidade a deste trabalho, portanto: contar uma história nossa e fazê-la universal. Um homem de poucas falas resolve transfigurar uns baldios. A terra é fraca, mas ele descobre-lhe um ponto fraco semeando-a de beterrabas. Com a sua companheira vai construindo uma casa gigantesca arrancada à poeira, como arranca ao seu ventre uma série de mulheres. Ele deseja muito um filho varão que nunca terá. O suco da beterraba alimentará a sua utopia, por vezes violenta. Miguel Rocha, que já nos tinha prendado com trabalhos altamente estimulantes, domina a narrativa com uma planificação bem ritmada e um uso cuidado da fala de campo. Pintando sem outro contorno além da fronteira das cores quentes, desenvolve ambientes que são de verdadeiro transe. Momentos há que são visões, maneiras de dizer que só a banda desenhada permite. É o caso do momento em que o herói trágico escava em busca de água e, ao mesmo tempo, constrói em altura (prancha 83). Aliás, a casa do Beterraba é um enigma fascinante. Como a dita casa, também este livro é orgânico, feito de matéria obscura e luminosa, a um tempo denso e refrescante. Um romance que cresce, em várias direcções, a cada leitura. © João Paulo Cotrim

Esta obra é mais um resultado das Bolsas de Criação Literária do IPLB / Ministério da Cultura.

Nota bibliográfica Nova edição pela Levoir em 2015

Autor(es) Étienne DAVODEAU

Editora Mundo Fantasma

Ano de Publicação 1999

Número de Páginas 176 p.

Impressão Preto e Branco

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário O ponto de partida “Alguns dias com um mentiroso” é uma semana de férias de cinco amigos, agora trintões, para recordar os (bons velhos) tempos em que a liberdade era total, sem famílias, nem empregos, nem responsabilidades. Férias que mais do que tempo de recordar, se tornam numa reflexão, quase sempre desiludida, sobre aquilo em que a vida transformou os sonhos (“nós crescemos; não vamos viver toda a vida como adolescentes”) que a juventude acarinhou.
Ao longo dos oito dias/capítulos que dura a experiência, a proximidade força a revelar os traços fortes do carácter de cada um, os defeitos, as qualidades, os desejos, os recalcamentos. Mas há mais, pois um deles não conta (toda) a verdade; o único que mantém ainda o espírito da juventude, o único que recorda uma antiga aposta que quer ganhar para provar que (também) é capaz de ser alguém, mesmo que não tenha conseguido “vencer na vida”, o que é agora (triste) sinónimo de casar, ter filhos ou um emprego das nove às seis…
Uma semana em conjunto que, nalguns casos, permite (voltar a) soltar amarras e partir ao encontro da liberdade (antes) sonhada, ainda que haja um abismo entre os sonhos de agora e de então… Fica pelo menos essa esperança, assim o deixe a implacabilidade da vida em sociedade pouco dada a diferenças e independências.

alice_capaAutor(es) Isabel FRANC, argumento; Susanna MARTÍN, desenho

Editora Levoir

Ano de Publicação 2016

Número de Páginas 144 p.

Impressão Preto e Branco

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário É uma novela gráfica sobre uma experiência de vida pela qual muitas mulheres passam e que afecta quem as rodeia, o cancro de mama. Com um humor inteligente, alguma ousadia e perspicácia, esta obra relata o dia-a-dia de uma história cada vez mais comum actualmente. É uma lufada de optimismo e valentia perante um tema delicado e doloroso.

Autor(es) Charles BURNS

Editora Pantheon Books

Ano de Publicação 2005

Número de Páginas 359p.

Impressão Preto e Branco

Faixa Etária Recomendável A partir dos 16 anos

Comentário “Black Hole” é a obra-prima que Charles Burns (um dos mais influentes autores alternativos) tem trabalhado em 20 anos – demorou 9 anos a a ser publicado em 12 fascículos pela Fantagraphics Books, entre 1995 e 2004!
A novela é situada nos anos 70, e trata de todos os temas favoritos de Burns: desde as doenças ao horror até vicissitudes obscuras da adolescência.
Uma praga sexualmente transmissível e que só afecta os jovens persegue os estudantes de uma escola secundária de Seattle. A doença causa deformações grotescas e reacções dérmicas, por exemplo, à principal personagem, Rob, cresceu-lhe uma pequena boca na garganta que transmite mensagens encriptadas. Os jovens mais afectados são forçados a viver em acampamentos numa floresta à parte da sociedade “normal”.
“Black hole” é sem dúvida o trabalho mais virtuoso do já virtuoso Burns, os “comics” que compoem a série tem uma produção exemplar: impressão, papel, arranjo gráfico…