Ideias negras

Autor(es) André FRANQUIN

Editora Witloof

Ano de Publicação 2001

Número de Páginas 76 p.

Impressão Preto e Branco

Faixa Etária Recomendável A partir dos 12 anos

Comentário O humor, o sarcasmo e o absurdo das pequenas histórias de Franquin compõem um retrato pouco lisonjeiro da condição humana. Há livros que valem pelas ideias neles contidas. No caso de André Franquin, estas (as suas) eram muitas vezes negras, marcos na carreira de um autor que procurou sempre as mais diversas formulações. É o caso desta edição da Witloof, que publica “Ideias Negras” em formato integral, reunindo num único volume aquilo que antes se encontrava repartido em dois.
Após o sucesso comercial de séries como “Spirou” ou “Gaston Lagaffe”, esta obra marca o regresso do belga ao panorama editorial português, ainda que aqui num registo pouco conhecido para muitos dos seus leitores habituais. (…)
Feita de parceria com o argumentista Yvan Delporte (isto para além de outros “ideólogos”, como Luc Degotte e Gotlib, autor da genial criação Gai Luron), “Ideias Negras” tem início em Dezembro de 1976 num dos suplementos autónomos da revista “Spirou”, “Le Trombone Illustré”, transitando mais tarde, já na década de 80, para a revista “Fluide Glacial”. A sua publicação em álbum data de 1983 mas o atraso da sua publicação em Portugal não lhe retirou pertinência nem actualidade — até pelo tema em questão, em que se apresenta a realidade sob o seu lado mais incongruente. É, indubitavelmente, uma obra por onde se insinua um humor corrosivo que fustiga tudo e todos — só ele conjugaria marcas tão distintas para sublinhar o cómico em confronto com a irrisão do absurdo e do escatológico. (…)
Vistas no seu conjunto, todas as silhuetas destas pequenas histórias a preto e branco — cobertas muitas vezes de estiletes, de pêlos ou de vísceras a explodir — não deixam de expor também qualquer coisa de angustiante e de vertiginoso. Mas, ao que se sabe, era mais do que isso: essa veia destrutiva, com que Franquin tantas vezes brinca para fazer surgir as formas mais aterradoras de realidade, foi também sinal da depressão com que o autor conviveu durante muito tempo.
(…) a obra parte de uma premissa simples: até que ponto pode o homem levar a estupidez? No caso presente, o mundo — o nosso, aqui nas suas verdadeiras cores, o preto e branco — passa a ver visto como o pior dos pesadelos. É uma espécie de negativo da existência, onde qualquer que seja a forma que tomem as criaturas — os odiados militares (…), toureiros, defensores da pena de morte ou padres —, quase todas saem trucidadas. (…) © Nuno Franco

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