Caminhando Com Samuel

Autor(es) Tommi MUSTURI

Editora MMMNNNRRRG

Ano de Publicação 2009

Número de Páginas 140 p.

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 10 anos

Comentário Apesar da boa recepção do último Salão Lisboa, em 2005, que teve a Finlândia como país convidado, poucos foram os nomes do programa que transitaram da exposição para a edição, e esses poucos chegaram unicamente às páginas de curta tiragem de revistas e fanzines. Quatro anos depois, cabe à Mmmnnnrrrg a publicação de uma obra de Tommi Musturi, um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea, convidado do Salão Lisboa e um dos participantes da recente exposição GlompX, que passou pela Bedeteca de Lisboa.
Caminhando Com Samuel estrutura-se como a narrativa de um milagre, mas um milagre onde a hipotética intervenção divina perde importância perante a incomensurável experiência do indivíduo. Onde o Génesis descreve os seis dias atarefados de Deus criando o mundo, Musturi prefere a explosão de um big-bang, e em vez de seres a caminho da condição humana através da aquisição da consciência, Samuel surge descontraidamente por entre as árvores, com um cigarro na boca e sem vestígios de culpa ou frutos proibidos. As diferenças assumem o ponto de vista individualista de Samuel, sem no entanto apagarem as reminiscências genesíacas, confirmando este livro como uma visão da criação do mundo, um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação.
Sem texto ou qualquer elemento verbal, o trabalho narrativo de Musturi assenta na utilização da cor, diferenciando e fazendo progredir espaços e emoções, e na linguagem corporal da personagem de Samuel, singela na sua estrutura, mas capaz de uma expressão sem limites, sobretudo na interacção com a composição das pranchas, estruturadas com base em linhas que, apesar da sua fluidez, deixam perceber as relações matemáticas que lhes servem de base. O modo de Samuel olhar o mundo sem o peso da História prevê o acaso como uma possibilidade, tão colocada em dúvida pela meticulosa geometria dos elementos como confirmada pela sua própria errância sem sentido. Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. © Sara Costa Figueiredo

Informação Bibliográfica sequela: Simplesmente Samuel (MMMNNNRRRG; 2016)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: