Fax de Sarajevo

ng_08_kAutor(es) Joe KUBERT

Editora Levoir

Ano de Publicação 2016

Número de Páginas 208p

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário Este romance gráfico começou a tomar forma quando Joe Kubert (1926-2012) começou a receber uma série de faxes do seu agente europeu, Ervin Rustemagić, quando este e a sua família ficaram sitiados na cidade de Sarajevo, já cercada pelos Sérvios, em 1992. Este editor e agente literário, além de perder, a casa, a editora e todos os seus bens num bombardeamento (num dos faxes revela que perdeu 12 000 originais / pranchas de BD), viu-se aprisionado durante mais de um ano com a sua família, na cidade de Sarajevo, sob a ameaça constante das bombas e dos snipers sérvios, tendo como único contacto com o exterior, um aparelho de fax. Kubert transformou estes pequenos relatos de Ervin numa história que denuncia os horrores da guerra…

Há quem ache esta BD não muito interessante porque Kubert transformou este drama numa BD com tiques do Sgt. Rock (série de BD de guerra que o próprio produziu), topam-se pelo estilo rígido de narração / diálogos e na figuração com maneiras de “comic-book”. No entanto achamos que não deixa de ser um documento importante por várias razões. A mais óbvia é pela emergência em denunciar os horrores cometidos pelos sérvios às populações bósnias (muçulmanas) no meio de uma completa apatia da ONU ou da UE ao que estava a passar. O documento em si revela o apoio da comunidade internacional (alguns “nossos conhecidos”, como Hermann ou Hugo Pratt) a Ervin e à sua família mostrando que a solidariedade civil ultrapassa os estados e instituições e a BD desmascara (sem querer) a hipocrisia do Capitalismo. Se Erwin consegui escapar ao inferno de Sarajevo foi porque conseguiu provar que poderia vir a ser um elemento precioso para a sociedade eslovena, tornando-se (e a sua família) em 1993 um cidadão esloveno, podendo assim resgatar a sua família do conflito, ao contrário de milhares de outras pessoas “menos importantes”. Realmente se Erwin tinha sido dono de um império editorial na Jugoslávia, ele conseguiu reconstruir o mesmo mais tarde na Eslovénia com a sua empresa SAF – para quem não sabe, muitas das edições da Vitamina BD foram preparadas em acordo as produções SAF. in Bedeteca Anónima

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