Marvels

Autor(es) Kurt BUSIEK, argumento; Alex ROSS, desenho

Editora BdMania

Ano de Publicação 2009

Número de Páginas 240 p.

Impressão Quatro Cores

Faixa Etária Recomendável A partir dos 14 anos

Comentário (…) Escrita por Kurt Busiek e pintada por Alex Ross, “Marvels” analisa as implicações inerentes à existência dos super-heróis num mundo real. O tema em si não é inovador. Alan Moore, em “Watchmen”tinha partido de uma premissa semelhante para concluir da impossibilidade da coexistência entre os super-heróis e o resto da humanidade. Isto é, ao humanizar os super-heróis, pôs em causa a sua própria razão de ser. Busiek opta por uma abordagem diferente e, embora integre os super-heróis na nossa realidade quotidiana de forma realista, não os pretende humanizar. Pelo contrário. Em “Marvels”, os super-heróis são vistos como deuses que desceram à terra, com os cidadãos de New York apenas a assistirem, sem poderem intervir, aos momentos decisivos em que a história do universo Marvel está a ser escrita.
Uma história que nos é apresentada do ponto de vista do homem comum, que assiste impotente à chegada dos novos deuses que caminham sobre a Terra. Esse homem comum é Phil Sheldon, um repórter fotográfico, testemunha visual da maioria dos acontecimentos que, desde 1939 até aos anos 70, marcaram a vida de milhões de leitores das revistas da Marvel.
Um ponto de vista tanto mais curioso quanto é exactamente o inverso do utilizado por Stan Lee no início da década de 60, no que se convencionou chamar a “revolução Marvel”, em que, pela primeira vez, os super-heróis foram apresentados como indivíduos atormentados pelos mesmos problemas do cidadão comum, capazes dos mesmos tipos de sentimentos e emoções. Essa espécie de transposição dos temas das telenovelas para o universo dos super-heróis atingiu o seu auge na série “Homem-Aranha”, um super-herói que, além de combater o crime, tem também de se preocupar com os exames, com a namorada, com as contas por pagar e com a precária saúde da sua frágil Tia May. Um esquema que já há muito atingiu a exaustão, resultando cada vez mais patética a vã tentativa de dar uma ilusão de mudança num universo em que todos os esquemas já foram tentados e em que qualquer morte, ou mudança, nunca é definitiva…
A opção em “Marvels” é outra. As histórias escolhidas por Busiek fazem já parte da história dos comics americanos. São lendas de um tempo que passou e Busiek trata-as como tal, sem as procurar desmontar, nem explicar. O repórter fotográfico que narra a história desempenha um mero papel de relator dos acontecimentos, através de cujo testemunho nos é dada a imagem dos heróis da Marvel. Daí que seja acertada a escolha de um repórter fotográfico que não procura interpretar os factos, apenas registá-los. Assim, dos super-heróis, apenas nos ficam as fotografias de Sheldon e as notícias dos jornais. Nunca sabemos o que eles pensam, nem de onde vêm. São “maravilhas” que pairam nos céus de New York e cuja existência vai marcar a vida dos seus habitantes.
Exercício nostálgico de inegável fascínio, (…) consegue aliar a dimensão mítica a um grande realismo, o que não é fácil de compatibilizar. Grande parte do mérito vai para Alex Ross, um artista de grande talento, cujas imagens pintadas de forma hiper-realista dão vida e consistência aos heróis da Marvel. (…) © João Miguel Lameiras

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1 comment
  1. Existe também uma edição mais recente na colecção Universo Marvel da Levoir (2014), em capa dura, com 224 pgs, que inclui alguns extras que não estavam na edição da BDmania (e com alguns a menos dos que estavam nessa).

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